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Maria Antonieta Alentado Oliveira

MEU BATEL

 

 

 

 

 

 

Parti, num pequeno batel

Rumo ao destino

Entre águas serenas e ondas amenas

Naveguei

Nas águas cálidas do mundo

Me entreguei

Me perdi e encontrei

Levada pelo vento

Perdida ao relento

Sonhei

No lodo do fundo

Me afundei

 

Meu batel delirou

Desta viagem derradeira

Era para si a primeira

Dançou ao som do marejar

Cantou ao sol e ao luar

Foi sereia nos solstícios

Sem deixar de ser batel

Voltou às margens perdidas

Destroçado mas orgulhoso

De ter cumprido seu papel.

 

Do fundo me elevei

Aos céus pedi perdão

Pedi paz, Fé e pão

Sentada na proa ao vento

Deixei voar as tristezas e agonias

Nos cabelos soltos espigados

Lágrimas rolaram

Dos meus olhos magoados

Meu coração se libertou

Das agruras já vividas

Encarei o horizonte

Ergui os braços à lua

E senti-me de novo eu.

 

Obrigada, meu batel

Por me teres acolhido

Levando no mar proibido

Em busca do meu ser

Reencontrei o tempo perdido

A esperança na vida futura

Obrigada, meu batel

Por esta doce loucura.

 

Maria Antonieta Oliveira

23-08-2015